Clareza é o fiel da balança do texto, de qualquer texto

Por Fernanda Pompeu em Escrever na internet

Clareza é o fiel da balança do texto. De pouca adianta ter ideias brilhantes, se na hora da comunicação escrita, elas aparecem confusas. É o bom ser senhor ou senhora de um assunto. Mas esse domínio não garante que o texto comunicativo. A gente sabe que a grande arte da escrita – impressa ou digital – é comunicar com clareza.

Tem até uma máxima que diz que TRÊS são as propriedades da boa escrita:
1 clareza
2 clareza
3 clareza

Mas a gente também sabe que escrever com clareza não é nada fácil. Exige muito treino, muito suor nas teclas e despojamento. Oi? Sim, para escrever com clareza é preciso despojar-se da verborragia, das literatices e da vaidade de querer ser mais inteligente do que o texto.

O olho do leitor não é penico.

O olho é uma ferramenta nobre. Por ela passam palavras, imagens, paisagens. A vida. Então a história de encontrar a clareza é mesmo um compromisso sério entre o escriba e a expressão.

Agora mesmo, enquanto escrevo este post, me pergunto: Estou sendo clara? A mensagem chegará tal qual estou imaginando? A resposta é luta teimosa, palavra a palavra, post a post.

Até grandes mestres lutam pela clareza do texto

Hoje de manhã dei de cara com uma declaração do Jorge Luís Borges (1899-1986), um monstro de contista. Autor do O Aleph, A Biblioteca de Babel, Pierre Menard, autor do Quixote, O Jardim dos caminhos que se bifurcam – entre outros ouros.

Ao ler a declaração do mestre hermano-universal me senti mais apaziguada. Entendi que, mesmo para ele, a clareza é sempre procura:

Jorge Luís Borges:
“A medida que o tempo passa para o escritor, sente-se que as ideias que se tem – boas ou más – devem ser expressas claramente. Porque se você tem uma ideia, tem que tentar passar essa ideia, ou essa emoção, ou essa atmosfera de forma clara para o leitor.”

Então, vamos nós afinar o coro da clareza! Não é coisa que se consiga de cara. Há que treinar. Há que se perder como o próprio Borges se perdia pelos canais de Veneza. Mas antes mesmo da beleza, da elegância, da profundidade necessitamos da clareza.

Brinde: entrevista no You Tube com Borges

Leia outras no Diário de Bordo

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6 respostas para “Clareza é o fiel da balança do texto, de qualquer texto”

  1. […] simples dá trabalho. É laborioso jogar fora os detalhes e ficar com o essencial. Na verdade, podemos levar uma vida inteira para tornar nossos produtos e serviços simples. Mas a […]

  2. […] Depende. Se escrevermos de forma difícil ou truncada, embarcaremos em uma viagem penosa. O leitor se cansará e provavelmente nos abandonará. Nosso […]

  3. […] Mas se depois de tanto esforço eu descobri que não tenho talento? Bom,  aí você nunca chegará a escrever de forma brilhante. Mas o mundo não precisa o tempo todo de textos brilhantes. Precisa sim de uma comunicação escrita que seja correta e clara. […]

  4. […] Sem clareza, a redação não serve para nada. Ou talvez funcione como aviso que devemos refazê-la com muito […]

  5. […] redatores querem ser lidos. A condição sine qua non para ser lido é produzir mensagens claras. Clareza é a máxima musa. A gente escreve azul e fica muito triste se o leitor entender verde. Almejar a […]

  6. […] com clareza a sua mensagem.O uso de frases curtas é um recurso maravilho para conseguirmos clareza, leveza, fluidez na nossa comunicação […]

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