Me dá um dinheiro aí

Por Fernanda Pompeu em Língua na palma da mão

A dica de começa com um poema Pronominais do modernista Oswald de Andrade (1890 – 1954).
Aliás devemos muitíssimo à turma modernista por tirar o terno e a gravata da nossa escrita.

Aí vai o poema do Oswald:

dê-me um cigarro

diz a gramática

do professor e do aluno

e do mulato sabido

mas o bom negro e o bom branco

da nação brasileira

dizem todos os dias

deixa disso camarada

me dá um cigarro.

Esse poema é um exemplo da tensão constante entre a norma e o uso.

A norma proíbe o uso do pronome Me iniciando a frase.
Me empresta, me pega, me beija.
Pela norma usaríamos: Empresta-me, Pega-me, Beija-me.

Mas quantos brasileiros falam (ou mesmo escrevem) assim? Conte-os nos dedos.

Daí, faço a sugestão: ao escrever um texto formal ou em uma redação do Enem, siga o que diz a gramática:
Diga-me, Respeita-me, Inscreva-me.

Ao escrever nas redes sociais, blogs, whatsapp, telegram siga a preferência da maioria brasileira:
Me diga, me respeita, me inscreva.

. Ilustração: Retrato feito por Tarsila do Amaral (1922).

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